Uma constatação empírica sobre a escola brasileira média é a sua debilidade em lidar com o mundo dos jovens. Principalmente em comparação com a mídia televisiva e ainda mais com a internet.
Não são incomuns casos de generalização de grupos de jovens com algumas semelhanças por parte de gestores e professores. Ou de uma caracterização equivocada de seus valores e pensamentos calcados em uma análise conservadora da juventude, o discurso que sempre começa com "no meu tempo blá blá blá", seguido de uma comparação que envolve os jovens atuais em um simplismo abstrato de uma decadência irremediável.
Esse discurso não nos serve. Que decadência existe se a juventude do século XIX trabalhava, não frequentava escolas, se casava muitas vezes no início da adolescência e não tinha o leque de perspectiva de vida e sonhos profissionais que hoje atinge adolescentes de cada vez mais classes sociais?
Como pode trabalhar na educação alguém que, ao invés de fazer um estudo aprofundado, generaliza e estigmatiza seus educandos?
Cabe escutar os alunos, ler o que escrevem, observar seus blogs, seus perfis em redes sociais, seu senso de humor, seus verdadeiros valores, as diferenças entre os grupos, que não são estáticas, mas dinâmicas, pois a cultura é mutável. Deve-se entender o jovem e dialogar com ele, compreendendo que o aluno é a contraparte do processo dialético que é o sistema de ensino e aprendizagem.
Da mesma forma que o aluno é colocado para se adaptar à escola, trajando seu uniforme, se adequando aos horários e ao sistema de carteiras na sala de aula, também a equipe escolar deve se organizar para compreender aqueles alunos e se adaptar a melhor forma de entrar de modo positivo em seu mundo.
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