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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

26: Uh-Batuk-Erê: Uma ação de comunidade

A arte, quando encarada como uma área de alcance da cidadania, pode ser importante para a afirmação de grupos dentro da sociedade.

A aula trata de uma comunidade onde havia baixa auto-estima dos alunos que sofrem com os estigmas sociais, com a condição de pobreza e mesmo com a ideia de que seus valores não são considerados cultura pelo senso comum.

A aplicação de um projeto que oferece a oportunidade de protagonismo aos alunos em atividades artísticas nas quais eles se reconheçam, possam exercer seus valores culturais de maneira que se sintam bem com sua própria identidade, resgatando seu orgulho e seu sentimento de pertencer a sociedade.

Penso que o mote principal desta aula, mas também desta disciplina é que há uma relação forte entre a auto-estima de uma comunidade e o exercício ativo da cidadania por esta.

25: Relações com as comunidades e a potência do trabalho em rede

A comunidade, definida como um espaço de laços sociais mais estreitos e de afirmação de pessoas e grupos com significados próprios é fundamental para o desenvolvimento e da potencialização da cidadania.

É muito comum em nosso país a associação do sistema democrático com o contexto da política nacional. No entanto, o aprimoramento das relações democráticas se faz em pequenas comunidades, na preocupação do indivíduo com o entorno de onde vive. 

O papel da escola deve ser ativo nesse processo e um espaço privilegiado para preparar os jovens para serem participativos, saberem se expressar e fazer valer os seus direitos.

As democracias mais sólidas do mundo dão tanta ou mais importância para as questões do bairro, da comunidade, da vila, do município em relação às questões nacionais. Isso amplia a participação do indivíduo porque ele certamente conhecerá mais do contexto específico de onde vive. 

A participação democrática, contudo, não se ensina, se pratica. É inevitável que a escola tenha relações democráticas e uma educação ativa para os alunos, em que eles se envolvam em projetos que tenham a ver com as necessidades reais do lugar onde vive.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

22: Lazer, juventude e esportes

A aula trata de vários conceitos relacionados com o que seu título propõe. O que me chamou mais atenção foi a ideia do "pedaço", que é um lugar que está entre o espaço público e o privado (a casa). É como um território com valor simbólico para um determinado grupo de jovens.

Para compreender melhor o pedaço, é necessário conceber que o adolescente passa muito do seu tempo buscando sua identidade, como forma de manter sua auto-estima e reagir às transformações que está vivenciando nesta fase da vida. 

Este contexto, faz com que adolescentes adotem estilos que o coloquem em alguma turma, que é chamado na sociologia de "tribo". Esta tribo terá elementos de linguagem, vestimenta e estilo musical próprios e é natural que ocorram rixas entre algumas tribos. 

Excetuando extremos como violência e drogas, as tribos possuem um efeito positivo na socialização do jovem, que desenvolverá inteligência emocional para lidar com as regras de convivência, com as relações hierárquicas e os valores daquele grupo.

E é então que entra o pedaço. Este é o território por excelência identificado com a tribo. É onde estes jovens normalmente se reúnem e, mesmo se for em um espaço público, ele se sentirá como se tivesse alguma ligação especial com o local, que terá, para ele, um fator de aconchego e fonte de lembranças importantes entre ele e os outros membros da tribo.

A escola deve estar perceber que o pedaço pode até mesmo ser algum espaço em seu interior e deve respeitar isso. Deve sempre estar atenta a drogas e violência, mas no geral deve permitir a formação e o desenvolvimento das tribos. A direção deve reconhecê-las como representações genuinamente juvenis, despindo-se de preconceitos e da mania conservadora de querer padronizar tomando a si como referência a juventude e por consequência, a humanidade.

21: Lazer, cultura e elementos comunitários

O lazer, de acordo com a aula, constitui-se de um momento que envolve descanso, divertimento e desenvolvimento. Ele pode ter interesses intelectuais, artísticos, manuais, sociais, físico-desportivos e turísticos. Embora a aula não ressalte, penso que um momento de lazer pode conjugar dois ou mais tipos de interesse.

A aula passou então a tratar de uma temática interessante: as formas de lazer acessíveis a cada tipo de comunidade ou cultura variam e muitas vezes algum tipo de lazer faz muita falta em algum bairro, especialmente se ele for pobre. Isso faz diferença porque por meio do lazer, não existe somente divertimento e descanso, mas o desenvolvimento pessoal, que pode levar o indivíduo a obter interesses e valores que serão positivos em momentos profissionais ou estudantis.

A escola pode fazer a diferença nesse ponto e, projetos como Escola da Família possuem resultados positivos, que poderiam ser ainda bem melhores se o Governo tratasse o projeto de forma qualitativa ao invés de priorizar quantidade. Não cabe, porém, dissertar sobre isso, já que não tenho elementos que embasam uma análise mais profunda.

Penso, sobretudo, que a escola pode servir à comunidade e aos seus próprios membros com momentos de lazer e é uma interessante forma de integrar professores, funcionários e alunos, mas também estes com a comunidade.

Certamente esta interação afetará positivamente a dimensão afetiva dos indivíduos, criando um vínculo maior da comunidade com a escola e um respeito entre professores e alunos, oriundo do fortalecimento dos laços e da admiração que os docentes podem suscitar nos educandos.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

18: A valorização da cultura corporal da comunidade no currículo escolar

O conceito de cultura corporal, como mencionado na aula, é bem amplo. No contexto que precisamos, ou seja, da criança e do adolescente, ele abrange brincadeiras, esportes, estilos de estética, sinais corporais, música, dança, etc.

Dentro de uma mesma escola ou até mesmo de uma classe, há uma variedade cultural corporal muito grande. Se  escolhermos só o fator musical, há os que preferem forró, funk, rock, pagode e cada um deles traz consigo uma carga estética, danças próprias e apontam para outros fatores da cultura não corporal.

Por outro lado, alguns fatores da cultura corporal dependem da habilidade do indivíduo e seu desenvolvimento físico. Existem aqueles que se saem melhor em brincadeiras que envolvem corrida, outros são melhores cantando, dançando, ou possuem coordenação para skate, surf, ou ainda possuem um perfil mais voltado para jogar damas, dominó, xadrez, etc.

Com crianças, durante o ensino fundamental, são comuns jogos e brincadeiras propostos pelo professor de educação física como "corre cotia", "queimada", "mãe da rua", entre diversas outras que qualquer pessoa que estudou no Brasil conhece. O ponto é que estas brincadeiras levam em conta algumas habilidades em detrimento de outras e que, se forem muito repetidas podem desenvolver um conceito que pode ser chamado de Daltonismo Cultural.

Sendo a cultura corporal, como aponta a aula, uma gama de cores muito diversa, o daltonismo cultural é o ato de privilegiar somente algumas práticas e valorizar somente aqueles alunos que são melhores nela. As brincadeiras devem ser variadas e permitir ao indivíduo desenvolver suas habilidades de forma equilibrada, mas respeitando sua particularidade. 

Não se pode existir que todos sejam ao mesmo tempo especialistas em esportes com bola, desprezando aqueles que não o são. Se o currículo for diversificado, alguma prática corporal encontrará o perfil de cada aluno.

Por final, ainda não tenho um ponto de vista fechado sobre o tema. A educação física é uma área que não conheço tão bem. No entanto, creio que a teoria do daltonismo cultural se aplicam aos outros aspectos culturais e educacionais.

17: Transformações sociais, currículo e cultura

A aula mais densa até aqui. Não cabe resumir todos os conceitos trabalhados, mas sim passar minhas impressões sobre o que despertou mais significados para minha experiência profissional. 

A escola dos dias atuais recebe um público que há algumas décadas não estava presente. A noção de democratização da educação em nosso país é bastante recente e esse fenômeno nacional deve ser estudado de forma conjugada com a globalização.

A educação no Brasil teve uma frequente expansão conforme avançava a industrialização e o êxodo rural em nosso país. Contudo, esse tipo de educação tinha uma ligação estreita com o mundo do trabalho, sua função era adaptar o novo morador das cidades ao trabalho industrial ou mesmo na área de serviços que ia se formando no entorno das regiões industrializadas.

A partir da democratização do Brasil, nos anos 80, tivemos o marco da Constituição Federal de 1988, em seu artigo 207, que trata da universalização do acesso à educação, com emendas ao longo das últimas décadas que expandiram esse direito até o Ensino Médio. 

A mesma Constituição e posteriormente a Lei de Diretrizes e Bases (1996) formaram uma concepção educacional voltada para a cidadania e o respeito à pluralidade, valores consolidados enfim nos Parâmetros Curriculares Nacionais, também dos anos 90.

Essa nova ideologia educacional se propaga em um momento em que o público que acessa a escola é muito mais plural que nas décadas anteriores, gerando um choque de valores em que não é raro que professores mais conservadores façam apologia da educação tradicional e autoritária. 

Professores conservadores entendem que educação é ordem, mas a educação é conflito: o amadurecimento se faz na experiência prática, o aprendizado não é pacífico, é marcante, por vezes polêmico, mas necessariamente chamativo. 

Se o aluno de quase um século atrás era preparado para viver em uma sociedade provinciana, em que seus conhecimentos objetivos seriam úteis em alguma profissão, o aluno de hoje deve ser preparado para lidar com uma sociedade mundial, com diferentes códigos acontecendo ao mesmo tempo e com consciência crítica para ter opinião sobre os temas do entorno do seu bairro até assuntos mundiais como meio ambiente, democracia, etc.

Além de tudo isso, o acesso cada vez menos censurado a informação leva a tona assuntos que antes eram tabu. A sexualidade, drogas, violência, são assuntos cada vez mais próximos do jovem e a escola não pode se esquivar. Deve agir como orientadora, informando, mas tomando o cuidado de respeitar as diferenças culturais e de não propagar preconceitos. Para que a escola consiga ter esse papel, porém, é preciso, infelizmente, que a formação dos docentes seja muito aprimorada... 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

14: A cartografia e a representação dos lugares

Esta foi uma das aulas mais sugestiva para se tratar com a pedagogia de projetos. Por meio dela, notamos como o entorno pode conter símbolos representativos para os alunos e para a comunidade.

Em primeiro lugar, não se deve ver o mapa como algo objetivo, meramente a ser copiado. A concepção de mapa deve ser como um texto gráfico, onde o que é elencado para fazer parte é aquilo que o autor considera relevante. O mapa da lista telefônica mostra apenas as ruas e os quarteirões, já o mapa original de um aluno pode conter uma determinada padaria, a casa de um amigo, um espaço de lazer, o shopping, etc.

A confecção de mapas por alunos na escola deve ser vista como tarefa pedagógica, de desenvolvimento das ideias e da identidade cultural, não como um empreendimento empresarial, frio e sem subjetividade. O resultado será aos docentes, literalmente um mapa do que chama a atenção dos alunos, do que desperta seu interesse.

13: Educação Geográfica, estudo da cidade e o uso da cartografia

Esta aula procura expandir o olhar da escola, para que a cidade seja vista como um espaço onde a aula pode ocorrer com maior sucesso até que a sala e que seus muros internos.

Para isso, é preciso decodificar a cidade, suas relações internas, suas instituições, as características próprias e culturais. Todos estes símbolos e códigos podem despertar a curiosidade do aluno e abrir problemáticas a serem trabalhadas pela equipe docente em uma pedagogia de projetos.

O currículo, então, supera os limites do espaço escolar, a relação dos conteúdos com a realidade e com o interesse prático dos alunos terá um peso definitivo e a aula deixará de ser tradicional.

Refletindo um pouco, chega-se a conclusão de que para que isso ocorra, não pode ser a ação de um professor sozinho, e nem da direção sem os pré-requisitos do corpo docente. É necessário que toda a equipe pedagógica se volte para esta ideia e somem forças, trabalhando em grupo, porque aspectos como a segurança dos alunos e  a ordem lógica dos procedimentos científicos não se percam.

É importante levar os alunos para além do espaço físico da escola, porém é indispensável que isso se faça com preparo. Uma escola em que isso for feito de qualquer jeito, levará a projetos que os alunos não entendem bem o sentido, ao desânimo dos docentes, que ficarão descrentes e até mesmo a segurança dos alunos, nas ruas, longe do conforto das salas de aula, serão fator de risco.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

10: Democracia e Educação em Direitos Humanos

A educação é um direito fundamental para que os demais direitos humanos sejam colocados em prática. Esta frase é o ponto central da aula.

A partir daí, podemos compreender que por meio da educação conseguimos manter uma sociedade democrática e respeitadora dos direitos humanos. Só que a democracia não pode ser resumida no ato de votar, ela deve ser exercida no cotidiano e para isso, é preciso que ela seja levada para dentro da escola.

É preciso formar sujeitos na escola que conheçam seus direitos e que saibam respeitar os direitos dos outros. Esta prática é sintetizada na aula pelo termo EDH. 

Com a falta de EDH, de uma educação que promova estes valores democráticos, no Brasil sofremos com o fato de que temos muitas vezes boas leis, mas que não correspondem à prática, justamente porque os cidadãos não conhecem seus direitos e não desenvolveram seu potencial crítico. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

9: Educação comunitária e direitos humanos

Esta aula defende que a escola se torne menos fechada e menos elitista. É preciso aprender na cidade, com a cidade e sobre a cidade. Mesmo o entorno da escola permite conhecer muitas coisas da realidade e assim desenvolver algum projeto que forme uma consciência crítica e de transformação social.

Este conceito é baseado na ideia de Paulo Freire, para quem a escola não pode ser hermeticamente fechada e sem ligação com a população e com o mundo. A escola deve se reconhecer como parte da realidade e como parte da transformação da sociedade.

É necessário que o professor tenha uma formação crítica, pois nem tudo o que se aprende com a cidade forma valores democráticos. Então, cabe ao professor coordenar esse processo de aprendizado, não permitindo que tome um viés pró-autoritarismo ou mesmo assistencialista.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

6: Educação comunitária e questões de gênero na escola

Esta aula retoma um assunto abordado superficialmente no módulo anterior, que é a temática de gênero.

A educação tem o papel de resolver os problemas da noção de igualdade de direitos entre o homem e a mulher. Muitos educadores acreditam que a escola não tem como trazer esse assunto para dentro do currículo por pensarem que é algo que não é um problema na escola. No entanto, basta conversar com a comunidade, com os alunos e etc, percebe-se que a desigualdade entre os gêneros é vista como natural.

A aula mostra um caso em que o entrevistado responde que pensa que é normal que a mulher mantenha a casa arrumada e não contrarie o seu companheiro para evitar o conflito com ele. Da mesma forma, muitos responderam que convivem com a violência entre gêneros, em especial do homem contra a mulher.

O trabalho com essa temática na escola, por meio de reuniões que envolvem a comunidade, trazendo como tema transversal desconstrói esses mitos e ajudam a formar a ideia de que os problemas entre gêneros se resolvem com o diálogo e partindo da premissa da igualdade de direito.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

5: Protagonismo juvenil e participação escolar

A aula segue o discurso do módulo anterior, em que com atividades baseadas em problemas e com metodologias ativas é possível promover o protagonismo do aluno na escola.

Alguns procedimentos são importantes para que essa estratégia funcione. A partir do grande tema trazido pela equipe docente, o aluno é quem deve construir a problematização relacionando com coisas que façam sentido na vida dele. O currículo de formação do aluno será ligado com os problemas da sua realidade, pensando na construção da sua cidadania.

O Professor Ulisses demonstra uma pesquisa feita com perguntas para um grupo de alunos que trabalhou com essa estratégia de projetos e com um grupo de alunos que seguiu com a pedagogia tradicional e percebeu que aqueles que são levados a desenvolver o senso de cidadania na prática, com metodologias ativas, possuem respostas muito mais conscientes do ponto de vista da convivência democrática, dos valores de solidariedade e justiça social.

O ponto fundamental desta aula e que é um desafio para as escolas do Brasil é fomentar uma pedagogia em que os professores tenham a ousadia de sair da sala de aula, que as equipes diretoras das escolas tenham a coragem de permitir instâncias de alunos, como grêmios e associações onde eles possam manifestar sua opinião e serem protagonistas da sua própria formação cidadã e crítica.

Valores não se aprendem com discurso, mas com vivência. Cidadania não é teórica, mas atitude. A participação do jovem como protagonista é um caminho difícil, o aluno é imaturo, por vezes inconsequente, mas tolher sua participação enquanto adolescente é criar um adulto acomodado, acostumado a não ser levado em consideração e acostumado a pensar que política é apenas um jogo de poucos, inacessível.

2 - Fórum escolar de Ética e de Cidadania

A aula defende a existência de um fórum que reúna representantes das camadas escolares e da comunidade, desde comerciantes, até membros de ongs ou de igrejas locais, todos aqueles que estiverem interessados nos problemas da região.

A escola então pode articular com as instituições e líderes da comunidade a busca de soluções para os problemas locais, por meio da estratégia de projetos.

É uma proposta avançada de ligar a pedagogia baseada em projetos de fato com as questões do entorno escolar, tornando a escola útil para a comunidade e um espaço em que aprendizagem caminha junto com ação e com a prática da cidadania.

Por outro lado, ao colocar a comunidade como protagonista da busca de soluções para os problemas locais, a escola por meio deste fórum estará promovendo os valores democráticos, como a preocupação política de cuidar do local onde se vive e conviver democraticamente com as pessoas próximas.

1 - A escola e as relações com a Comunidade

Nesta aula, o Professor Ulisses coloca o problema da ligação da escola com a comunidade. Muitas vezes o currículo escolar fica preso dentro dos quatro muros e não se integra com o entorno, com o bairro e mesmo com as famílias dos alunos.

A aula defende que o currículo deve incorporar recursos da cidade, em especial das proximidades como espaço e objeto para a aprendizagem. Mesmo com uma volta no quarteirão da escola é possível identificar diversas sutilezas no cenário que podem levar a uma reflexão que se relaciona com as disciplinas tradicionais. 

Considerando a estratégia da pedagogia de projetos, ao levar os alunos para caminhar no entorno, podemos também abrir espaço para que, ao se deparar com as situações vistas na rua, ao ar livre, os alunos podem levantar questões que podem ser pesquisadas do ponto de vista dos temas transversais e dar origem a um projeto.