O multiculturalismo está em voga em nossa sociedade desde a redemocratização. A exaltação da diversidade é realizada até mesmo por canais de televisão. O currículo escolar ao longo das últimas décadas foi profundamente influenciado por estas ideias, principalmente por ser um contraponto à educação preconceituosa e autoritária dos anos de ditadura.
No entanto, o campo do multiculturalismo é complexo e repleto de caminhos perniciosos. É possível, para tomar um clássico exemplo, reconhecer a diversidade, mas apontar aos poucos que um modo de ser, uma crença, uma formação filosófica é a mais correta.
O cristianismo é cliente fiel dessa atitude. Escolas promovem "cultos ecumênicos" e convidam um somente clérigo católico. Ou professores advogam pela reza do pai nosso, incutindo a falsa ideia de que é uma oração de "todas as religiões". Também podem desconsiderar ou desaconselhar o estudo ou a adoção de práticas e ideias que não são aceitas pela crença cristã.
É necessário não permitir que o autoritarismo revestido com a máscara da diversidade prorrogue o pensamento unitário e preconceituoso para as gerações seguintes.
O multiculturalismo deve respeitar as diferentes identidades, problematizando-as, questionando-as e abrindo espaço para que cada pessoa desenvolva seus valores e princípios, que o campo do debate seja o espaço limpo para a formação do cidadão, ao invés da moldura reprodutivista.
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