quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

17: Transformações sociais, currículo e cultura

A aula mais densa até aqui. Não cabe resumir todos os conceitos trabalhados, mas sim passar minhas impressões sobre o que despertou mais significados para minha experiência profissional. 

A escola dos dias atuais recebe um público que há algumas décadas não estava presente. A noção de democratização da educação em nosso país é bastante recente e esse fenômeno nacional deve ser estudado de forma conjugada com a globalização.

A educação no Brasil teve uma frequente expansão conforme avançava a industrialização e o êxodo rural em nosso país. Contudo, esse tipo de educação tinha uma ligação estreita com o mundo do trabalho, sua função era adaptar o novo morador das cidades ao trabalho industrial ou mesmo na área de serviços que ia se formando no entorno das regiões industrializadas.

A partir da democratização do Brasil, nos anos 80, tivemos o marco da Constituição Federal de 1988, em seu artigo 207, que trata da universalização do acesso à educação, com emendas ao longo das últimas décadas que expandiram esse direito até o Ensino Médio. 

A mesma Constituição e posteriormente a Lei de Diretrizes e Bases (1996) formaram uma concepção educacional voltada para a cidadania e o respeito à pluralidade, valores consolidados enfim nos Parâmetros Curriculares Nacionais, também dos anos 90.

Essa nova ideologia educacional se propaga em um momento em que o público que acessa a escola é muito mais plural que nas décadas anteriores, gerando um choque de valores em que não é raro que professores mais conservadores façam apologia da educação tradicional e autoritária. 

Professores conservadores entendem que educação é ordem, mas a educação é conflito: o amadurecimento se faz na experiência prática, o aprendizado não é pacífico, é marcante, por vezes polêmico, mas necessariamente chamativo. 

Se o aluno de quase um século atrás era preparado para viver em uma sociedade provinciana, em que seus conhecimentos objetivos seriam úteis em alguma profissão, o aluno de hoje deve ser preparado para lidar com uma sociedade mundial, com diferentes códigos acontecendo ao mesmo tempo e com consciência crítica para ter opinião sobre os temas do entorno do seu bairro até assuntos mundiais como meio ambiente, democracia, etc.

Além de tudo isso, o acesso cada vez menos censurado a informação leva a tona assuntos que antes eram tabu. A sexualidade, drogas, violência, são assuntos cada vez mais próximos do jovem e a escola não pode se esquivar. Deve agir como orientadora, informando, mas tomando o cuidado de respeitar as diferenças culturais e de não propagar preconceitos. Para que a escola consiga ter esse papel, porém, é preciso, infelizmente, que a formação dos docentes seja muito aprimorada... 

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