terça-feira, 13 de março de 2012

4: Os Estudos Culturais e a convivência democrática

Os estudos culturais permeiam uma parte considerável das disciplinas tradicionais da grade curricular da educação básica no Brasil e acompanham as questões históricas e atuais que moldam a sociedade.

Estão na Língua Portuguesa, quando são tratadas as razões do acordo ortográfico, a literatura, o estilo pretendido de redação; estão em História, Geografia e Sociologia, ao se tratar da formação do povo brasileiro e da influência das potências mundiais sobre o globo; estão até mesmo em disciplinas além das humanas, como em Biologia, no que toca bioética ou noções de ecologia.

O que se deve ter claro é que estes estudos culturais são invariavelmente um assunto político. Ao lidar com assuntos sociais e da existência humana, são temas que apenas de maneira ingênua ou desonesta pode ser vista pelos profissionais da educação como "neutros". 

Ainda que se trabalhe estes assuntos com uma isenção ética, em sala de aula, se deve perceber que a escolha de quais temas culturais serão abordados em detrimento de outros, já é por si uma decisão política. 

Para tomar um exemplo recente e de grande peso na educação nacional, a inserção de história e sociedade africana no currículo das disciplinas humanas por decisão do governo Lula, foi tomada sem aumentar a carga horária e, desta forma, as editoras, os vestibulares e os professores tiveram de encaixar este tópico, secundarizando alguns outros. 

Pensando no dia a dia da escola, se temas culturais forem trabalhados em um ambiente de debate entre os alunos, mediado pelo professor, o limite e a pauta deste, será também uma decisão política, que na prática pode estar sendo determinada pela direção ou pela comunidade. Por mais que um professor queira tratar assuntos sociais em sala, se houver pressão de pais e da equipe técnica, ele estará sendo politicamente impedido.

A escola não deve desrespeitar a comunidade, não deve doutrinar seus alunos e nem impor crenças ou desvalorizar a cultura local. A instituição escolar não é uma igreja, não é seu papel. Entretanto, não deve se furtar a ser palco de debates, de preparação intelectual e não deve ceifar contestações. É dever da direção lutar para que o ambiente escolar seja livre de preconceitos e espaço para que seus alunos se instrumentalizem como vanguarda cultural ao invés de reprodutores de estagnação.

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