sábado, 23 de junho de 2012

22: O professor leitor

A leitura pode ampliar a visão de mundo e abrir horizontes para a curiosidade. O professor deve ser, seja por gosto ou ao menos por necessidade, um leitor. 

Deve ler os livros que mantenham seu conhecimento atualizado, que possam sempre possibilitar que as outras pessoas tenham algo a aprender com ele, para que sua importância na vida escolar do aluno não seja somente a transmissão da matéria.

É relevante também ler as pessoas, saber captar a forma como pensa cada aluno, seus valores, símbolos e atitudes para estabelecer um canal de comunicação mais claro e direto.  

A missão é conectar os interesses e encontrar o modo pelo qual algum aspecto da sua disciplina pode se relacionar com uma perspectiva de futuro para o aluno.

terça-feira, 19 de junho de 2012

21: A complexidade da constituição docente

A satisfação de um professor depende de vários fatores e é sensato dizer que um profissional satisfeito trabalhará com mais vontade e interesse.

Claro que em toda profissão existem profissionais mais dedicados e aqueles com tendência a se acomodar. No entanto, a fama de baixos salários afasta muitas pessoas com potencial da carreira, enquanto que a possibilidade de ser funcionário público e tirar licenças, sem ter um patrão por perto, aproxima muitos oportunistas.

A remuneração deve ser mais atrativa, com planos de carreira que permitam uma meritocracia interessante do ponto de vista das pessoas mais determinadas, capaz de manter o conjunto de professores motivado com a possibilidade de aumentar seu status e suas finanças.

O professor precisa ter tempo reservado para estudar, se atualizar e deve ser cobrado por isso por meio de avaliações periódicas. Devem frequentar cursos sérios, que exijam leitura e produção acadêmica.

O tempo de lazer e descanso deve ser mais respeitado com um enxugamento da burocracia e da papelada de diários de classe, fichas e papeletas, dando espaço a sistemas automatizados.

Com estes pilares, a profissão teria muito mais cobrança, mas também perspectivas mais animadoras do que as escolas públicas atuais oferecem. Os acomodados, os lamuriosos e os arcaicos acabariam tendo que levar seu lero-lero para outra redondeza e dar espaço a quem está disposto a explorar toda sua capacidade em benefício dos milhões de alunos brasileiros.

18: A escola e as instituições culturais

O uso das instituições culturais como museus, sítios arqueológicos, pinacotecas, hemerotecas, podem ser úteis para projetos transversais que tenham metas próprias e englobem duas ou mais disciplinas.

A equipe escolar pode organizar projetos que façam os alunos irem até instituições culturais com objetivos claros para obter conhecimento, realizar pesquisas e associar com assuntos do seu cotidiano.

O objetivo desta estratégia é fazer com que os espaços culturais tenham sentido na vida do aluno, ganhem significado e sejam por ele valorizado e preservado. Além disso, a metologia científica de pesquisa é favorecida porque estes locais possuem abundância de informação que precisará ser organizada e sistematizada pelos alunos de acordo com o desenvolvimento do projeto.

20: A complexidade no estudo dos processos desenvolvimentais humanos

O desenvolvimento do ser humano se faz no meio social. Os valores culturais são construídos em agrupamentos de pessoas, desde as eras mais remotas, quando sociedades pré-históricas adquiriam hábitos para garantir sua sobrevivência.

Desta forma, o modo como a escola trata a criança e o adolescente é crucial para influir no tipo de sociedade que se descortinará no futuro. As relações democráticas, o diálogo, a aceitação das diferenças são valores indispensáveis se queremos superar de vez o passado de ditadura e intolerância de nosso país.

É preciso também que os pais e a família em geral se conscientize em promover uma educação para que seu filho seja uma pessoa pronta para ouvir, ceder, argumentar e não seja egoísta, que entenda que vivemos em sociedade.

19: O todo pela parte

Nas relações sociais dentro da escola, um dos maiores perigos é o estigma. Considerando que os alunos estão em uma fase da vida de construção da identidade e da caracterização da identidade e da diferença, existe a possibilidade de alguns alunos serem estigmatizados pelos demais.

O caso mais provável ocorre entre alunos com necessidades especiais, por suas diferenças ao resto dos alunos serem facilmente identificáveis. No entanto, por questões culturais ou sociais, diversos tipos de alunos, que não se enquadrarem nos valores hegemônicos estão sujeitos à isso.

O conceito de estigma, aqui, significa que a pessoa passará a ser vista  sempre por aquela característica não desejável e suas tentativas de se integrar ou de mostrar outras qualidades terão dificuldade ou serão nulas.

A escola deve levar essa questão a sério, porque é indispensável para a democracia o respeito pelas minorias, por suas opiniões, por suas posições, de modo que a cultura hegemônica não se torne tirânica, criando um ambiente onde alunos precisem se dissimular ou ocultar suas opiniões para serem levados em contra.

17: O professor e a cidade educadora

O professor não precisa se bastar aos materiais escolares. É possível explorar o entorno da escola e mesmo toda a cidade para trabalhar diversas disciplinas. 

O importante é que ao visitar estes espaços, o professor levará experiências únicas e situações de aprendizagem que realmente podem gerar curiosidade nos alunos.

Devemos considerar também o aspecto da imprevisibilidade. Ao levar os alunos pela cidade, a aula não terá o mesmo controle que teria em sala e a interação com pessoas, locais, monumentos poderá descortinar hipóteses de trabalho que não teriam como ser calculadas previamente.

É necessário, então, que o professor esteja pronto para repensar todo o procedimento visando não perder oportunidades de experiências frutíferas e que saiba ver em cada elemento da rua exemplos e referências vivas do conteúdo que pretende trabalhar.

14: Processos de aprendizagem e implicações para a prática docente

O processo do conhecimento não é fixo e linear.  Ele é construído de forma complexa, como uma rede e envolve vários fatores, desde a preferência pessoal, o ambiente, a variedade de práticas pedagógicas.

Um desses fatores, a preferência da classe, varia de maneira surpreendente. Algumas gostam muito de alguns assuntos que outras nem ligam. Quem não trabalha com educação dificilmente intuiria que esse aspecto tem tanto peso.

O ponto mais importante é compreender que, ao menos em disciplinas humanas, não há donos do conhecimento e em avaliações bem abertas, é possível que o aluno chegue em respostas não imaginadas pelo professor, com uma argumentação formulada por seu raciocínio.